Blog › 02/02/2018

No último dia de janeiro…

Crônica de um aniversário

Nilson Perissé

Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 2018

Thomas Merton. Vivo estivesse, completaria hoje 103 anos. Ele, que ocupou-se diariamente em registrar em seus diários suas inquietações e dúvidas, vitórias e fracassos, sentimentos nobres ou demasiadamente humanos, o que escreveria no dia de hoje se vivo estivesse?

Seriam páginas serenas e cheias de sabedoria próprios ao que se espera de um ancião? Provavelmente sim, mas não só. É de se esperar que também registrasse dúvidas e inquietações, perplexidades e incômodos. Porque isso é Thomas Merton, um Hamlet da jornada espiritual, e por isso uma referência de santidade perfeita para nosso dias – não só por sua proximidade histórica a nós, como pelas nuances e matizes de sua estrutura psíquica. Um homem capaz de abrir-se ao Espírito e escrever páginas de delicada e fina espiritualidade, mas também capaz de revelar sua humanidade nos diários onde se revela um homem de seu tempo, com traços de hesitação, frustração e impaciência. Tudo isso o torna um homem de santidade, porém muito próximo a nós.

Neste aniversário de 103 anos, na sequência de uma noite inesperadamente fresca no verão do Rio de Janeiro, o dia amanheceu nublado e com pálidos raios de sol clareando a Igreja do Mosteiro de São Bento, onde comparecemos para a missa onde seu nome constava entre as intenções. Não foi uma missa exclusiva para ele. Homem algum é uma ilha, ele diria, e nas intenções ele estava acompanhado por outros nomes: Marias… Alfredos… Antonios… ali estavam eles todos no coração e na mente de todos nós presentes, que com sentimentos distintos nos uníamos por uma razão comum: prestar tributo àqueles que partiram com a morte, mas que continuam vivos inspirando-nos em nossas histórias e decisões.

Feliz aniversário, Thomas Merton! Nós que igualmente hesitamos, temos receios, dúvidas e inquietações nos igualamos a ti em tua humanidade. E continuamos a manter vivas suas palavras com o ideal de compartilhar também contigo, um dia, a santidade!

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