Blog › 11/12/2018

Homilia da Missa pelo Padre M. Louis (Thomas Merton)

Tradução: Sieni Campos

Caros Padres e Irmãos,

 

Na semana passada, sepultamos um de nossos Irmãos mais idosos, Irmão Leo, homem sério que viveu uma vida longa e silenciosa dedicada ao Senhor. Hoje celebramos esta Missa por ocasião da passagem de outro Irmão para o Senhor, nosso Padre Louis.

Ele era um Irmão mais jovem, até juvenil, alguém que poderia ter vivido cem anos sem envelhecer.

Sua vida esteve longe de ser silenciosa, apesar de sua inclinação eremítica, pois foi, pela Providência Divina, um criativo ministro da Palavra. O mundo o conhecia por seus livros; nós, por sua palavra falada. Pouca gente, ou ninguém, o conheceu em sua oração secreta.

Mas ele tinha uma oração secreta, e era isto que dava vida interior a tudo que ele dizia e escrevia. Seu segredo era, em grande medida, o seu segredo diante de si mesmo, mas ele foi um habilidoso leitor do segredo das almas que procuravam sua ajuda. Foi por isto que, embora ríssemos dele, e com ele, como em relação a um Irmão mais jovem, nós o respeitávamos como pai espiritual de nossas almas.

Nós que desfrutamos do privilégio e do prazer de um convívio íntimo com Padre Louis, e submetemos nossa vida interior à sua direção, sabemos que nele tínhamos o melhor dos Pais Espirituais.

Ele então era tanto um Irmão quanto um Pai e, para os que desejassem, também um amigo fiel. Para mim, pessoalmente, foi um dos homens mais prestativos e cativantes que tive o prazer de conhecer. Devo-lhe mais do que as palavras podem expressar. Seu falecimento é uma grande perda.

Contudo, sabemos que a perda não é completa. Ele deixou sua marca profunda nesta comunidade, e estará conosco por muitos anos mais, pois a plantou nos corações de uma geração e, se Deus quiser, sua marca tornará a ser plantada em gerações futuras.

Tenho certeza de que cada um de vocês lerá está mensagem de um modo um pouco diferente. É assim, claro, que ele gostaria que fosse. Mas a mensagem é basicamente a mesma para todos.

Só somos homens de Deus se buscamos a Deus, e só encontraremos a Deus na medida em que o encontrarmos na verdade sobre nós mesmos. Silêncio, solidão e reclusão são meios para tanto e nada mais. A finalidade de tudo é a pureza da fé e do amor, e o que nos mantém a caminho é nossa esperança.

O Padre Louis empreendeu esta viagem à Ásia no espírito da mesma busca de Deus. As cartas que me escreveu transbordavam de esperança no avanço futuro nesta busca.

A possibilidade da morte não era alheia a seus pensamentos. Falamos do assunto antes da viagem — primeiro brincando, depois a sério. Ele estava preparado. Até considerava que, de certa forma, faria sentido morrer entre aqueles monges asiáticos, que para ele simbolizavam o antigo e perene desejo do ser humano pelas coisas profundas de Deus.

Portanto, embora tenha morrido fisicamente longe de nós, não morreu longe de nós em espírito. Sua morte pode ser dolorosa para nós, mas é alegria para ele, pois é a tão esperada realização da busca de Deus e da esperança em Deus que foi a sua.

Assim, que Deus o recompense por tudo o que fez por esta comunidade, e que a busca de Deus e a esperança em Deus, que foi a sua, permaneçam agora em nós. Que também nós um dia possamos compartilhar com ele a alegria da plenitude no Reino de nosso Pai.

Isto nós pedimos por Cristo Nosso Senhor e pela intercessão de Sua Santa Mãe. Amém.

por Padre M. Flavian Burns (1931-2005)
Abade de Gethsemani (à época), 11 - 12 - 1968

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